CRÔNICA NUM SOFÁ DE FÉ & REALIDADE

 


CRÔNICA num sofá de fé e realidade

Cá estou, novamente e após um bom período de tempo ausente, sentado em meu surrado sofá a divagar e pensar no meu cotidiano mundano, e sob reflexões oriundas da leitura do explosivo e polêmico “livro dos insultos – de Henry Louis Mencken” (Cia. Das Letras 1988), o mais famoso jornalista estadunidense das décadas de 20 e 30 e sem sombra de dúvidas, atualíssimo nos dias atuais, passados 100 anos.....

 Segundo o jornalista, ensaísta, critico cultural e satirista, H.L. Mencken (1880-1956), em uma de suas geniais sacadas e publicações, afirmara que, “a fé  pode ser definida, em resumo, como uma crença ilógica na ocorrência do improvável”...... Pus-me então, a refletir sobre o mais amplo contexto dessa infernal e verdadeira afirmação, ainda um tanto incrédulo com sua prática e objetividade....

Isto posto, fica claro à aqueles que tem por um sadio hábito, exercitar o pensamento através da comparação entre, atos e fatos e, os termos e falas dos governantes democraticamente eleitos pelo povo brasileiro, os quais insistem em usar a “fé” popular, em palanque eleitoral de autopromoção social perante seu público, incentivando o não entendimento racional dos fatos, afastando-os assim das reais possibilidades do alcance de seus desejos práticos, e por via de consequência, mantendo-os no ostracismo cientifico, para mantê-los aprisionados à etérea e  pseudo esperança da manutenção da fé, pois agora vai..... (vai ter picanha para todos....)  

Via de regra, é mais do que comum em ocasiões diversas, porém pontuais, ouvirmos muitos de nossos políticos enaltecendo a fé do povo brasileiro, ou melhor frisando, aos eleitores, no tocante a esperança em um país de futuro promissor......

Aquele como dizia a música: “Um futuro que insiste em não passar por aqui”.....

Mas porém, havemos de concordar que até mesmo o futuro em tempos de pós pandemia, não se arrisca a visitar um país onde parte de seu povo, por fé ou ignorância, não acredita em vacinas......

Mas deixem-me dizer antes de tudo, que sou um homem totalmente voltado a crença em Deus, essa força maior que deu origem a vida...... Já a religião é a opção de cada um encontrar o caminho que o leve ao seu Deus.....

Ora, o nosso Brasil como uma república laica, respeitosa de todas as matrizes religiosas, até pela grande miscigenação de raças que acabaram por formar o nosso povo, vem se desenvolvendo sem que este mesmo povo se dê conta, através das guias das disputas por séculos e séculos, desde a guerra de Iguape em virtude da interpretação do Tratado de Tordesilhas (1534-1536), passando pela revolução farroupilha, revolta separatista e republicana no Rio Grande do Sul (1835-1845), até o golpe de Estado civil militar, conhecido como golpe militar de 1964, e que até hoje gera ódio e exaltação pelos fanáticos de ambas as correntes dualistas, levando alguns, mesmo que sob o manto da impunidade parlamentar, a serem presos pelos poderosos da toga, lastreados interpretativamente na letra constitucional, assim como fora feito  anteriormente quando do último impeachment presidencial.......

Bem, com esse preâmbulo devidamente noticiado, voltemos ao nosso querido, culto e claramente inteligentíssimo personagem, Henry Louis Mencken, com mais uma de suas fantásticas percepções sociais, onde afirma que “é relativamente fácil suportar a injustiça. O mais difícil é suportar a justiça”......

O nosso Brasil vem suportando os mandos e desmandos judiciais de forma pacífica, com o seu povo de muita fé aumentando a cada dia as suas preces a Deus para que o futuro do bem e de bem desvie e acabe aportando por aqui, evitando-se assim o desmantelo da frágil ordem social existente, com ou sem vacina.

Fome, barriga vazia, criança chorando, gente morrendo, povo sofrendo, descamisados, descalços, sem rumo, sem esperança, sem dinheiro, sem gás, sem luz, sem casa e sem futuro........ Claro que isso é somente uma utopia, ou seja, nada disso existe em nosso querido Brasil, afinal a insegurança, a descrença, a violência, a insubordinação social, a desfaçatez política nas esferas municipais, estaduais e federais aos olhos dos nossos governantes inexistem, e ainda segundo Menckem, se apoiam na prática de uma de suas observações sociais, onde afirma que a “Imoralidade é a moralidade daqueles que estão a se divertirem mais do que nós”, que me desmintam os nobre congressistas......

Mas aí, mais uma vez o sádico e visionário Menckem vem com outra pérola: “As pessoas não esperam encontrar castidade num bordel. Por quê, então, eles esperam encontrar honestidade e humanidade no governo - um amontoado de instituições cujo modus operandi consiste em mentir, enganar, roubar e, se necessário, assassinar aqueles que resistem?”...... Daí, posso dizer que tristemente encontrei um culpado por este estado de coisas: O POVO !  

E, assim vou terminando a minha primeira crônica deste novo ano repleto de velhas novidades, mas sem não antes deixar uma outra e significativa observação de Henry Louis Menckem: “A consciência é aquela voz interior que nos adverte de que alguém pode estar a olhar”.

Finalmente, não fica muito difícil entender o porquê de muitas das citações e observações sociais feitas por Menckem desde os anos 20, são mais que verdadeiras nos dias atuais, pois chego à conclusão que o mal está verdadeiramente incrustado no sistema que mantém a inércia e o desenvolvimento cultural do povo......

Mantemo-nos assim a nossa fé !

 

            César M. Abdul-hak Antelo, 60  

Administrador de empresas, Consultor Imobiliário e Cronista Politico e Social 


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